quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

1 - O PASSARO DE PAPEL

                                                      (Conto infantil )                


                                                                                        Por Célio Passos

                                      



       A maior paixão de Vasco era desenhar. Na escola, todos os anos pelo Natal, havia um concurso de desenho e o Vasco era quase sempre o vencedor. O tema era sobre aquela quadra festiva.
       Vasco surpreendeu todos, pois desenhou um pássaro estranho mas lindíssimo, de cores maravilhosas que parecia vivo. Ninguém conseguiu fazer a ligação do pássaro com os motivos natalícios.
       O júri ficou muito curioso , pediu ao Vasco para explicar o desenho.

       - É o pássaro do Natal – explicou Vasco.

       - Pássaro do Natal? Mas não há pássaro algum que tenha ligação com o Natal? Existe o burro e a vaca do presépio e o peru que é costume comer-se no Natal. – disse o presidente do júri.

       - Passou a ser este também, um pássaro, o pássaro do Natal – justificou Vasco.

       O júri decidiu atribuir o primeiro prémio ao Vasco.

       Vasco de manhã antes de sair de casa foi admirar mais uma vez a sua obra, e depois de tomar o pequeno almoço abalou para a escola.Na secretária do Vasco estava um frasco com um pó, que  parecia muito antigo e que lhe foi dado pelo tio Cassiano, que dizia que aquele pó era mágico.

       O tio Cassiano era um mágico extraordinário, tão extraordinário que um dia fez uma magia e desapareceu mesmo, nunca mais apareceu.

       Vasco regressou da escola e a primeira coisa que fez foi ver o seu pássaro. Observou o desenho, tornou a observar, virou de um lado, virou do outro, e jurava que o desenho não era o mesmo; o pássaro estava com o bico aberto parecia que estava a cantar e não foi assim que o desenhou. Reparou que o frasco do pó mágico do tio Cassiano estava aberto. Ali havia mão do tio Cassiano, desconfiou.

       Quando o pai chegou a casa, Vasco pediu-lhe que fossem encaixilhar o desenho, porque tinha medo que o desenho se perdesse.

       Chegaram a casa e colocaram-no numa das paredes do quarto de Vasco.

       No dia seguinte era noite de Natal e Vasco estava entusiasmado o com seu pássaro de papel.        Mal chegou da escola foi ver o seu pássaro. Quando chegou ao quarto, reparou que o quadro tinha caído ao chão, estava todo partido e o pássaro não estava lá. Pensou uma vez mais no tio Cassiano até porque o frasco do pó mágico estava espalhado sobre o quadro estilhaçado.

       Quando olhou para a janela, viu o pássaro vivo e a saltitar no parapeito, não queria acreditar.        Aproximou-se devagarinho, estendeu a mão, e o pássaro de papel saltou-lhe para a sua palma. Desceu as escadas com o pássaro na mão e perante o espanto de todos, Vasco mostrou que o seu pássaro de papel. Levantou voo e foi pousar junto à estrela da árvore de Natal, e começou a trinar uma bela canção de Natal.

       - É a magia do Natal – disse o Vasco.

     O jantar de Natal foi o melhor de sempre e com uma música de fundo, muito própria da quadra, belas canções de Natal trinadas por um pássaro que era de papel.

     Vasco olhou para a árvore e o pássaro estava muito vivo a olhar em volta. Vasco estendeu a mão, o pássaro desceu da árvore num elegante voo e pousou suavemente na palma da sua mão.

    Nesta posição subiu as escadas até ao seu quarto.Chegou à secretária, estendeu um papel branco e com jeitinho deslizou o pássaro para o papel. Este ficou muito quieto e Vasco deitou-lhe o pó mágico do tio Cassiano. O pássaro começou a baixar a deitar-se de lado e entranhou-se no papel. De novo, Vasco tinha o seu pássaro no papel; tinha descoberto um dos segredos do pó mágico do tioCassiano.Pegou no papel meteu-o numa capa plástica e antes de o fechar numa gaveta à chave, disse:

       - Até ao próximo Natal, meu pássaro de papel.

                                                                                                                   Fim

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