quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

7 - NATAL


                        
Por Godiva
Há prendas de Natal que mudam vidas!

Fui literalmente arrastado pela mão de Teresa que, apenas com mais 5 anos de idade, nunca se achou minha irmã. Sempre se assumiu como a mãe que não conheci. Passava o dia de mão dada comigo. Limpava-me o nariz, puxava-me as calças, gritava comigo sempre que fazia alguma coisa que lhe desagradava.

Sim, fui literalmente arrastado por ela quando naquele dia 24 de Dezembro de manhã entramos no gabinete enorme da Irmã Benilde que, enclausurada no seu hábito negro, nos saudou com aquele seu sorriso metálico e me fez sinal para que subisse para o seu colo frio e duro como se de madeira fosse feito. Não tirei os olhos de Teresa que de cabeça baixa ouviu tudo em silêncio sem soltar o grito que as minhas lágrimas teimosas, escorrendo no meu rosto, pediam.

-Meninos- disse ela - o Dr. Albuquerque convidou-vos para passar o Natal na Quinta. Espero que se comportem melhor do que no Verão. Teresa não percas o João de vista. Façam o que vos mandarem. O vosso futuro pode depender deste Natal!

A minha irmã, como sempre, acenou que sim sem levantar os olhos, mas eu saltei para o chão, esperneei gritando que não queria ir. Era a única forma de dizer que odiava aquele gente séria e estranha que me apertava as bochechas e me chamava de “lindo menino”. Queria mesmo era ficar com a Mãe Maria, aquela velhinha gorducha que me fazia arroz com cheiro de canela, me deixava rapar as formas dos bolos e me contava histórias de freiras e milagres … mas nada adiantou.

Ao início da tarde o carro grande veio buscar -nos. A mãe Maria chorando disse que era melhor para nós, mas para mim aquilo era um castigo ( talvez pela guerra de almofadas que sempre desencadeava no dormitório ).

Não voltei a comer o arroz de canela da Mãe Maria!

Nessa noite o Dr. Albuquerque , perante todos os presentes, comunicou que tinha para mim uma prenda especial : aquela seria a minha nova casa e Teresa viria visitar-nos sempre que possível. Passamos essa noite abraçados chorando. Éramos a única família um do outro e ninguém nos explicou porque eu ficava e Teresa tinha de regressar.

Cresci odiando a noite de Natal!

Quando já médico a fui buscar ao Mosteiro onde ocupava o lugar de cozinheira deixado vago pela Mãe Maria após a sua morte, jurei a Teresa que jamais a abandonaria.

Vivemos até ao fim dos seus dias lado a lado.

Criou os meus filhos com o mesmo amor que ambos desejamos e nos fora amputado na infância, e foi numa noite de Natal que na sua humilde resignação a vi partir desta feita todo o sempre .

Hoje é 24 de Dezembro!

Toda a casa estremece de alegria. Fumo o meu cachimbo em frente à lareira olhando os meus netos que brincam ruidosamente junto à árvore gigantesca onde brilham enfeites de todas as cores.

Dir-se-ia que tenho tudo para ser feliz.

Mas nesta noite ,invariavelmente, a minha alma veste-se de luto por Teresa.

Odeio o Natal !

                                                                                                          FIM

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

6 - CHUVA DE ESTRELAS


Por Liliana Lopes

Era véspera de natal, e todas as estrelas do céu aguardavam ansiosamente pela passagem de alguém muito especial, o pai natal. 

Todos os anos o pai natal passava por ali,vindo sabe-se lá de onde, numa correria desenfreada em direcção à Terra, com o seu trenó carregado de presentes. 

As estrelas adoravam o natal. Era a altura do ano em que a Terra tinha mais brilho do que o próprio céu.  Mas de ano para ano a intensidade da luz ia diminuindo.

Corria um boato entre os habitantes do céu que o pai natal andava a ficar choné e que a culpa de o natal já não ser o que era, era sua. Alguns diziam até que numa das suas visitas à terra apanhou a doença da preguiça e a mania das pressas, por isso é que cada vez mais ele se esquecia de realizar todos os pedidos que lhe eram feitos.

As estrelas não se conformavam, elas queriam salvar o natal, então reuniram-se todas em confêrencia familiar e decidiram que uma estrela de cada cor iria apanhar boleia com o pai natal e descer à Terra.

E assim foi. Todas em filinha seguiram o pai natal. Por onde passavam as estrelas deixavam particulas de si nos corações das pessoas, espalhando luz e magia, cobrindo a terra de um manto imenso de cores. A missão estava cumprida.

Depois de tão estafada jornada as estrelas regressaram a casa admitindo que não era fácil a vida do pai natal. Elas estavam exaustas. Havia tanta tristeza na Terra que só numa noite esgotaram as suas reservas de luz.

Era então hora de descansar, e foi ao deitarem-se sobre o leito luminoso da Sra Lua que deram por falta da estrelinha dourada,a estrela da coragem. Ela não se tinha perdido pelo caminho, tinha decidido ficar na Terra entre os humanos, ela achava que o seu lugar era ali, não só no dia de natal, mas sempre, porque nós os humanos precisamos sempre de coragem. 

                                                                                                                      FIM

5 - UM CONTO DE NATAL

Por “M”                      

O parto ocorreu às sete horas e sete minutos da manhã. O menino é visto num bercinho muito exótico, feito de um material muito brilhante e que expelia ondas concêntricas de luz, de cores muito suaves, lindas. No espaço envolvente, inúmeras crateras, irregulares, emitiam feixes de luz prateada. José estava muito feliz, porque, desta vez, de comum acordo com Maria, o primogénito tinha nascido longe dos homens.

Aquele vídeo, capturado por um espião satélite já tinha sido visto por milhares de pessoas, em todas as redes sociais. A notícia era bombástica. O jornalista ia entrar em directo, via satélite, mas a luz foi abaixo nesse preciso momento. Quando a luz voltou, o telejornal já estava no fim e informava que o tempo ia piorar, com baixas temperaturas e caída de neve em todo o país.

Nessa noite não se dormiu no planeta terra, na expectativa de que outra mensagem importante viesse do céu, mas o céu não se manifestou e tudo o resto eram especulações.

Chegou o ano novo e parte do planeta terra fez votos de um mundo melhor com mais paz e amor. Os chineses, um pouco atrasados, ou não, também iriam fazer os seus rituais muito peculiares de boas vindas ao novo ano.  

Chegou o dia de reis e o céu voltou a dar notícias. Tudo em tempo real para quem quisesse ver.

O menino Jesus, no seu bercinho foi visitado pelo sheik do petróleo, que lhe foi levar a sua melhor prenda, milhares de barris de ouro negro. Mas na condição de Jesus dar um nó cego nas energias alternativas, porque se assim não fosse, a sua ruína estaria à vista.

De seguida é visitado por um industrial farmacêutico que lhe levou como presente um contentor cheio de medicamentos para todas as doenças conhecidas e desconhecidas, não esquecendo os remédios para a diabetes, que até já têm cura. Ao sair, disse a José que quando precisasse, era só pedir, que para esta família os remédios eram todos grátis.

A terceira visita, foi de um ilustre desconhecido que tinha um cargo muito importante no planeta terra. Era Presidente da Federação Internacional dos Fabricantes de Armamento e Afins (FIFAA). Este presidente levou-lhe  o incenso do século, uma caixa com um pó branco como a neve, que tinha o poder de aniquilar o ser humano. Pediu ao menino para que quando crescesse, não pregasse a paz no mundo, porque se não o número de desempregados aumentaria muito mais.

Tudo isto foi seguido com muito interesse cá no planeta terra, mas os homens ficaram muito decepcionados, porque a família de Jesus não falava nenhuma língua conhecida e, por essa razão, as mensagens e os pedidos para o menino foram escritas em papel, para que depois, José, com a ajuda do computador pudesse descodificá-los.

José e Maria ficaram decepcionados. Os seus planos estavam a ir por água abaixo,  porque  a educação do seu filho passava pela ausência do contacto com tudo o que há de mau à face da terra e apesar de todos os cuidados, afinal, estavam tão perto do fogo.

Jesus foi crescendo no meio dos anjos bons e educado para ensinar os homens a banir o mal da face da terra. Aos dezoito anos estava prevista a sua primeira aparição na terra, mas Jesus disse a Maria e a José que queria ir para um planeta ainda mais longínquo, onde os homens não conseguissem chegar, porque não queria morrer outra vez pregado na cruz.

                                                                                                                      FIM


4 - AQUELE PINHEIRO


Por Helena João

Aquele pinheiro não era um pinheiro qualquer. Não habitava num qualquer pinhal negligenciado pela presença de eucaliptos, essa árvore da moda. Não. Aquele pinheiro era um pinheiro especial. Tinha uma história! Tinha uma vida da qual se orgulhava!

Começara-a como qualquer outro. Não fora um pinhão diferente dos demais. A pinha que lhe dera origem não tinha nada de transcendente. Perguntar-se-á o leitor, o que diferencia aquele pinheiro das restantes coníferas do género Pinus.

Pois bem, comecemos a nossa história.

O pinhão de onde germinara fora acidentalmente plantado por um esquilo, ávido de preservar suprimentos para mais um Inverno. Não sabemos o que aconteceu ao esquilo, nem porque razão não voltou ele ao seu esconderijo para resgatar o pinhão e fazer dele repasto. Mas a verdade é que foi exactamente isso que sucedeu. Não tendo sido retirado do solo pelo esquecido esquilo, o pinhão aproveitou a Primavera seguinte para fazer aquilo para que estava programado. Germinar, pois claro. O solo fértil, a estação solarenga e os chuviscos primaveris, foram só o que bastou para que daquele raquítico pinhão surgisse o primórdio do nosso pinheiro. Os anos seguintes foram passados na pacatez do crescimento. Afinal, que mais se pode pedir a um pé de pinheiro que faça? Á sua volta cresciam outros como ele, esvoaçavam aves e insectos, restolhavam pequenos roedores. Mas certo dia, vieram umas pessoas, seis ou sete, munidas de pás, vasos e sacos de terra. Começaram por observar atentamente os jovens pinheiros. Parecia que mediam com o olhar a altura dos troncos, o comprimento de cada ramo, a homogeneidade das agulhas. Escolheram, cada um o seu pinheiro e iniciaram a meticulosa tarefa de os arrancar do chão sem danificar as raízes. Para aquele pinheiro, o nosso, foi como se de uma pequena tortura se tratasse. Sentiu-se sufocado, como peixe fora de água, como mamífero dentro dela, enfim, como pinheiro a quem tiram a terra de cima. Mas rapidamente foi transplantado para um dos tais vasos com terra e a curiosidade superou o mau momento anterior. Onde iria ele? Deu consigo num estranho aglomerado de plantas em vaso a que os humanos dão o nome de horto. Habituou-se depressa às comodidades deste modo de vida. Já não precisava de esperar pela chuva ou por rasgos de sol que penetrassem no denso pinhal onde habitava. Era regularmente regado pelos humanos, punham-lhe adubo na terra, colocavam-no ao sol ou à sombra consoante o necessário. Não se lembra exactamente quanto tempo viveu assim, mas lembra-se de ter crescido mais um ou dois centímetros e de ter desenvolvido ramos mais frondosos. Se é que se pode chamar frondoso a um pinheiro. Mas adiante na história. A estação mudou entretanto e outras árvores, as que não eram perenes como ele, começaram a perder a folha. Vieram ventos e chuvas e ele foi mudado para o interior de uma estufa, no horto. Foi cerca de uma semana após essa mudança para a estufa, que o seu mundo foi agitado novamente. Uma família composta por dois humanos grandes e dois mais pequenos e bastante barulhentos foi visitá-lo, a ele e a outros pinheiros que lá estavam. Não demoraram muito a decidir-se por ele porque, modéstia à parte, era mesmo o mais bonito de todo o horto. Levaram-no para uma carrinha grande, semelhante àquela onde já tinha andado quando o retiraram do pinhal e, daí, para o interior de uma casa. Curioso, pensou. Não me parece que esteja inscrito no meu ADN que eu seja uma planta de interior… Enquanto meditava sobre este assunto foi colocado em cima de uma mesa, num cantinho da sala. O vaso onde permanecia foi regado e depois enfeitado com folha de alumínio e musgo. Os humanos grandes azafamavam-se à sua volta, pendurando iluminações. Os pequenos e barulhentos dançavam e cantavam atrapalhando a tarefa. Ao início teve algum receio, pareciam-lhe loucas aquelas criaturas. Mas gradualmente foi perdendo o medo e acabou por achá-los simpáticos, apesar de um pouco extravagantes. Depois das iluminações seguiram-se bolas, bonecos e outros brinquedos variados e fitas fininhas, como se fossem cabelos. No seu topo puseram uma estrela e à frente do seu vaso um boneco curioso. Era um senhor gordo e corado, vestido de vermelho, de barbas brancas e sorriso contagiante. Ouviu um dos humanos grandes dizer ao pequeno - foi dado à tua avó quando ela nasceu, tem quase setenta anos, este Pai Natal. Ao longo dos dias seguintes foi ouvindo muitas conversas acerca dessa tal coisa, o Natal. Aparentemente era uma festa. Celebrava-se o nascimento de alguém importante e o senhor gordo, o do boneco, vinha com presentes. Isto se os pequenos e barulhentos se portassem bem, claro. Para além dos presentes do Pai Natal, haveria outros dados pelos familiares. Aos poucos e poucos esses presentes foram chegando e sendo postos à volta do pinheiro. Aquele, o nosso. No dia de Natal estava mais bonito que nunca. Talvez tivesse crescido mais um pouco ou talvez apenas se sentisse ufano pela importância que lhe davam. Fora elogiado por todos os convivas e não houve ninguém que não quisesse tirar uma fotografia ao seu lado. Sentiu que a felicidade suprema era isto. Não era preciso estar no pinhal rodeado de pássaros e pequenos mamíferos. Aquela era a sua família. Todos os presentes que estavam à sua volta foram abertos nesse dia e os pequenos estavam mais barulhentos e agitados do que nunca.

Quando já estava plenamente convicto que ficaria para todo o sempre assim, enfeitado e naquele canto da sala, começaram a retirar-lhe os enfeites. Mas que se passa? Haverá outra festa que requeira bonecada diferente? Nada disso. Num ápice estava de novo nu, coberto apenas pelas suas agulhas e uma ou outra gota de resina. Pior do que isso, num ápice estava no quintal. Dentro do vaso onde viera, mas no quintal. Já não conseguia ouvir as conversas dos grandes nem as gargalhadas dos pequenos, já não era o centro das atenções. Já nem o regavam como dantes. Parecia que confiavam na chuva para o fazer. E teve medo. Teve mais medo do que naquela altura em que o tiraram do pinhal. Teve medo e já não estava curioso com o que se passaria a seguir. Afeiçoara-se àquelas criaturas bípedes. Pronto. Não queria ser só um pinheiro. Nestes tristes pensamentos passou o tempo suficiente para que voltasse a estação solarenga. Os dias bonitos e já mais compridos convidavam a sair e com isso o nosso pinheiro ganhou novamente a companhia dos humanos. Que vamos fazer a este pinheiro, ouviu um deles perguntar. Não sei, este ano já não vai caber na sala para o Natal, disse o outro. Tens razão, mas custa-me deitá-lo fora, volveu o primeiro. Deitá-lo fora?! Aquele pinheiro, o nosso, o que já tinha passado por tanto, tido e dado tantas alegrias, estremeceu e, podemos garantir, perdeu meia dúzia de agulhas. A minha pobre seiva não aguenta tanta emoção forte. Ainda caio para o lado, como que fulminado por um raio, pensou. Deitá-lo fora não, vamos plantá-lo. E se bem o pensaram, melhor o fizeram. Hoje, quase duas décadas passadas após esse primeiro Natal, aquele pinheiro, o nosso, ainda lá está. Tão crescido que já ultrapassa o telhado da casa. Tão crescido que já tiveram que lhe podar ramos mais altos que o mais alto dos humanos. Tão crescido que já não há bolas, nem bonecos, nem fitas suficientes para o enfeitar no Natal. Apenas lhe põem as iluminações. Mas não faz mal. Tão feliz que ele está. Aquele pinheiro, o nosso, o do Natal.

                                                                                        FIM


3 - O MILAGRE DE NATAL


                                                                        Por Madalena Fonte


  O ano era o de 1963. O local, uma aldeia, igual às outras, no norte do país.

Uns poucos dias antes do Natal as crianças andavam excitadas com a perspetiva  das prendas que o Menino Jesus iria pôr no sapatinho. Os irmãos discutiam acaloradamente sobre as prendas que mais gostariam de receber: carros e bolas. Se alguns não tinham dúvidas, outros não se decidiam. A irmã mais nova, com apenas cinco anos, pensava nos brinquedos que tinha visto na feira, durante a grande festa anual. Perante os seus olhos desfilavam, as bonecas - uma tentação; os lápis de cor, dentro das suas caixas de cartão, com aquele aroma tão familiar: as louças em miniatura, de alumínio e o respetivo fogão, pintado de branco; os carrinhos, de metal colorido, que imitavam carros verdadeirosEla imaginava-se a brincar com todos eles e não conseguia escolher o que devia pedir! E o dia de Natal aproximava-se rapidamente.

  Enquanto a mãe se atarefava na cozinha, as crianças foram apanhar musgo e azevinho para fazerem o presépio. O dia estava cinzento e frio mas eles  nem se apercebiam.  Pelo caminho, por entre as brincadeiras e correrias com os irmãos, ela tentava escolher o presente perfeito, aquele com que lhe daria mais prazer brincar. Começava até a ficar um bocadinho ansiosa, era preciso pedir, senão o Menino Jesus não saberia o que lhe trazer, podia até vir a receber uma coisa de que não gostasse

  No dia da consoada o entusiasmo era geral: as mulheres ultimavam  a ceia, os mais novos ajudavam no que podiam, até os homens mostravam interesse pelo andamento dos preparativos. O ponto alto era, como de costume, a iluminação do pinheiro de Natal. Esta tarefa tinha de ser supervisionada pelos adultos, que era de grande responsabilidade. Os pequenos castiçais, cada um com a sua vela, eram presos aos galhos da árvore, com muito cuidado, para não provocar um incêndio. Depois era acender!

  Naquele ambiente caloroso, próprio das festividades, a menina teve finalmente a certeza do que é que desejava. Com os irmãos,  começou logo a antecipar o dia seguinte com os presentes que recebesse. No meio daquela grande algazarra, uma dúvida assaltou-a, de súbito: e se o Menino Jesus não soubesse o que ela queria? Afinal, agora tinha decidido! De acordo com o conselho dos irmãos, ela abriu a porta da cozinha, foi ao alpendre e, olhando o céu escuro e frio,  em voz alta formulou o seu desejo de Natal.

  No dia seguinte, mal acordaram, os garotos correram para a chaminé. Olhos  ansiosos procuraram os respetivos sapatos.  Depois de se desembaraçarem de papeis e fitas se ouviam excitadas exclamações:

- olha, é mesmo o que eu queria!

- também eu, o que eu tive! 

A próxima paragem foi no quarto dos pais: vejam  o que o Menino Jesus nos trouxe!

A mais pequena, a última a chegar, também saltou para cima da cama:

- Foi mesmo isto que eu pedi!

 A menina não cabia em si de contente. Nem acreditava na sua sorte! Devido ao pedido tardio e às dúvidas que tinha sobre a origem dos presentes de Natal, ela estava com receio de não ser atendida, mas o conjunto de louças de alumínio, dentro do camião de madeira que tinha bem agarrado com ambas as mãos, reforçaram a sua crença no espírito de Natal.  

                                                                                                                                                          FIM